| Quando estudamos a história do Yôga no Brasil, chama atenção a atitude de certos profissionais de Yôga de perseguir os líderes que têm uma visão diferente daquela preconizada pelo status quo vigente. Houve uma feroz perseguição, por exemplo, ao Mestre Caio Miranda nos anos sessentas. E há, ainda nos dias de hoje, uma perseguição extremamente agressiva contra o Mestre DeRose. Felizmente esse veneno destilado contra ele tem se voltado contra os que o produzem. Parece que eles acabaram mordendo a própria língua.
Estudando a vida de certos líderes do pensamento e pessoas de destaque ao longo da história, percebemos que é mais comum do que se imagina essa atitude de ódio contra aqueles que ousam pensar à frente.
Na verdade, parece tratar-se de uma neurose social, embora a perseguição efetiva tenha, como elementos ativos uma pequena minoria formada por invejosos e sociopatas. A atitude da maioria é de silêncio cúmplice.Vejamos alguns exemplos de líderes, cientistas e filósofos que foram perseguidos, difamados, caluniados, levados ao ostracismo e até mortos.
SÓCRATES
Sócrates nasceu em Atenas por volta de 470 aC. Foi considerado um homem muito sábio e inteligente.
Embora tivesse exercido a função de magistrado, era crítico em relação a certos aspectos da administração ateniense. Também analisava com olhar de sábio as crenças e preconceitos vigentes em sua época.
Seu método de ensino era o diálogo. Conhecemos seu pensamento através dos dois brilhantes discípulos que formou: Platão e Xenofonte.
Conhece-te a ti mesmo. A frase define, segundo Sócrates, toda a meta da filosofia.
Sócrates reconhece a existência de uma lei universal natural, acima das leis morais que variam segundo a época e a região. É o que, no Yôga, chamamos de karma.
Pelo seu pensamento arrojado e profundo, Sócrates despertou o ódio dos poderosos que, por sua vez, instigaram a população mais ignorante contra ele através de mentiras, calúnias e difamações.
Foi preso sob a acusação de corromper a juventude e de querer substituir os deuses vigentes por outros. Foi dada a ele a opção de renegar publicamente suas idéias ou morrer. Devido à sua integridade, Sócrates se recusou a abjurar suas convicções e preferiu beber o veneno que seus executores lhe impuseram.
As idéias de Sócrates continuam sendo estudadas e difundidas até hoje, dois milênios e meio depois de sua existência. As idéias poderosas prosperam.
PITÁGORAS
Filósofo, matemático e sábio, Pitágoras nasceu por volta do ano 570 aC. Dotado de grande inteligência, aos 18 anos tornou-se discípulo de Hermodamas. Com 25 anos, provavelmente aconselhado por Thales de Mileto, viajou para o Egito a fim de aprofundar seus conhecimentos.
Fez inúmeras viagens, aprendeu diversas ciências e conceitos filosóficos. Segundo consta nos registros existentes, era vegetariano.
Aos 56 anos fundou, em Crotona, uma escola filosófica, pois seus ensinamentos atraíam muitos jovens ávidos por conhecimento.
Mas sua inteligência e prestígio despertaram o ódio daqueles que não tinham evolução suficiente para compreendê-lo. Quando ele propôs uma reforma ética e política na sociedade da época, o senado de Crotona o intimou a dar explicações.
Não era qualquer pessoa que conseguia entrar em sua escola filosófica. Muitos fracassavam. Tudo indica que alguns destes fracassados comandaram uma odienta invasão à sede do instituto pitagórico, que foi saqueada e queimada, e seus principais dirigentes mortos. Isto foi por volta de 475 aC. Não se sabe se o próprio Pitágoras também foi assassinado nessa ocasião, ou se conseguiu fugir.
Pitágoras compreendia o Universo como uma harmonia, com extrema organização, baseada na matemática. Na astronomia, defendia a revolucionária idéia de que a Terra é redonda. Quanto à organização da sociedade, Pitágoras valorizava o respeito à hierarquia.
Pitágoras influenciou fortemente muitos pensadores, e sua importância é reconhecida em qualquer ambiente de filosofia.
GALILEO GALILEI
O grande astrônomo, matemático, naturalista e filósofo nasceu em Pisa em 1564.
Aos treze anos seu pai o matriculou na Escola de Artes da Universidade de Pisa, para estudar medicina. O curso abrangia temas amplos, como, por exemplo, a astronomia.
Naquela instituição Galileo estuda geometria, física e outras matérias. Por essa ocasião estabelece a lei do movimento pendular, observando um lustre da catedral a balouçar.
Cientistas e filósofos da época reconheceram o grande valor de seus trabalhos na área da Geometria, Física e Matemática, e ele foi nomeado, em 1589, professor de matemática da Universidade de Pisa.
Escreveu estudos de grande valor em diversas áreas do conhecimento. Mas foi na Física e na Astronomia que se destacou. Foi firme defensor das descobertas que tinha feito com o uso do recém-inventado telescópio, e que provavam que as teses aristotélicas estavam totalmente erradas. Consta que, ao chamar autoridades eclesiásticas para olhar pelo telescópio e ver por si mesmos, estes se recusaram a olhar, alegando que aquele aparelho era um instrumento do diabo!
Lembremo-nos de que a Igreja considerava herege todo aquele que discordasse do modelo aristotélico, no qual o Sol girava em torno da Terra, e não o contrário. E a Santa Inquisição tinha uma grande provisão de lenha em seus estoques.
Por defender idéias contrárias à Igreja da época, foi chamado em 1633 a prestar depoimento perante uma comissão de cardeais. Com quase setenta anos,
foi-lhe dada a opção: renegar suas idéias ou ser queimado na fogueira. Para salvar sua vida, Galileu renunciou às suas descobertas. Assim a pena de morte foi comutada para prisão perpétua, depois convertida em prisão domiciliar perpétua. Em 1982 o Papa João Paulo II retirou as acusações de heresia feitas pela Inquisição contra Galileu e o reabilitou perante a Igreja. Um pouco tarde, talvez...
REICH
Nascido em 1897 na Áustria, Wilhelm Reich foi um dos mais ilustres discípulos de Freud. Era médico psiquiatra e membro da Sociedade Psicanalítica de Viena. Descobriu conceitos fundamentais para a compreensão do ser humano. Sendo judeu, foi perseguido pelos nazistas durante a juventude. Publicou em 1932, o livro Irrupção da Moral Sexual Repressiva. Ele defende nesse trabalho que a origem da repressão sexual aconteceu na passagem das sociedades matriarcais primitivas para o patriarcado, que se caracteriza pela acumulação e apropriação pessoal de bens e pela repressão sexual.
Em agosto de 1933, em Copenhague, publicou um de seus livros mais conhecidos – A Psicologia de Massa do Fascismo - o que lhe rendeu o ódio dos nazistas. Reich também entrou em conflito com o Partido Comunista Dinamarquês. Ele acusou o Partido de praticar uma política discriminatória e burocratizada para favorecer alguns membros mais poderosos em detrimento de outros.
Com o crescimento do nazismo, teve que sair da Alemanha. Assim, em 1939 aceitou o convite da New School for Social Research, de New York, para dar conferências sobre Psicologia Médica,
Reich utilizou o conceito de bio-energia, que tanto é utilizado no Yôga. Chamou essa energia de orgônio.
Em março de 1954, em plena era do macartismo – caça organizada pelo senador Macarty a supostos comunistas e simpatizantes – uma Corte Federal norte-americana decretou que a energia orgônica não existia. Como Reich continuava a ensinar o conceito a seus alunos, foi preso. Ou seja, punido por causa de suas idéias. Morreu na prisão em 1957. O legado de Reich, no entanto, permanece vivo, contra as forças obscurantistas e retrógradas. A Orgonomia – a ciência que se dedica ao estudo das manifestações da energia orgone no micro e no macrocosmo, no vivo e no inanimado foi resultado de quase duas décadas de trabalho. E Reich desenvolveu-a, ainda, por mais dezoito anos em várias dimensões: Orgonoterapia; Física, Astrofísica e Biofísica Orgone; Pedagogia Orgonômica; Orgonometria, etc. (O termo Orgonomia expressa, também, o conjunto da produção científica reichiana).
GIORDANO BRUNO
Nascido em Nola, hoje território da Itália, em 1548. Filósofo, astrônomo e matemático, rejeitou a teoria geocêntrica de Aristóteles e Ptolomeu, defendida pela Igreja Católica, mas também ultrapassou o heliocentrismo de Copérnico. Percebeu que o Universo era muito mais amplo, e defendia a multiplicidade dos sistemas siderais.
Aos treze anos foi para Nápoles estudar humanidades no Convento de San Domenico Magiore, onde São Tomás de Aquino lecionara.
Morou na Suíça, Alemanha, Inglaterra e França. Lecionou filosofia em Toulousse e Paris. Na Inglaterra proferiu uma série de palestras sobre Astronomia. Escreveu vários livros. Na Alemanha também lecionou e escreveu mais livros e artigos.
Estudou a mente humana e a natureza da associação de idéias, numa época em que esta ciência sequer existia.
Denunciado à Inquisição italiana por um discípulo traidor, foi preso e torturado por sete anos. Condenado por suas idéias, foi queimado vivo no ano de 1600. Seus livros foram proibidos.
Mas, apesar disso, as forças retrógradas não conseguiram parar a roda da história. Hoje todos sabemos que o Universo é constituído de muitos sistemas solares, e que a Terra gira em torno do Sol.
Giordano Bruno defendia a idéia de que a divindade está em tudo e em todos, e que cada ser humano é uma manifestação dessa divindade.
Hoje em dia, Bruno é reconhecido como grande filósofo e mártir da ciência e da filosofia.
TUCKER
Preston Tucker nasceu nos EUA em 1903.
Durante a vida, sua vocação era para arquitetar indústrias. Trabalhou em grandes empresas e foi proprietário de uma concessionária de automóveis, entre outras atividades.
Em 1940 possuía uma fábrica que construía aviões e tanques para uso na Segunda Guerra.
Com o fim da guerra, Tucker direcionou sua produção para realizar seu sonho: construir um carro muito seguro, de excelente performance e a um preço muito baixo.
E ele assim o fez: o Tucker Torpedo era todo acolchoado por dentro para proteger seus ocupantes, e as maçanetas internas ficavam em concavidades, para evitar que ferissem os passageiros em casos de colisão.
O carro tinha cinto de segurança, uma novidade na época. Também havia um farol central que se curvava quando o carro fazia curvas, a fim de iluminar a estrada.
Mas Tucker estava incomodando a indústria automobilística dos EUA com esse carro excessivamente bom.
Assim ele foi boicotado, caluniado e difamado. Sofreu processos e pressões até que sua empresa, sufocada, fechou.
Devido ao ferrenho boicote, somente 51 unidades do Tucker Torpedo foram construídas. Destas, 47 ainda existem, nas mãos de colecionadores.
Poucos anos depois de falir, Tucker morreu de câncer. Um câncer produzido, talvez, pela amargura...
MARCELLINO DE SAUTUOLA
A Descoberta das Pinturas Rupestres
(texto do Mestre DeRose)
Parece piada, mas até a virada para o século XX os cientistas não haviam descoberto as pinturas feitas no interior das cavernas pelos homens pré-históricos!
Seu descobridor foi Marcellino de Sautuola, um nobre de Santander, dedicado à arqueologia. Em 1875, visitou a Caverna de Altamira, na Espanha, com 270 metros de comprimento, onde recolheu ossos fósseis. Mas nessa ocasião não prestou atenção senão ao solo, de onde retirava restos de ossos.
Retornou no verão de 1879 para prosseguir suas pesquisas. Um dia, levou consigo sua filha Maria, de 12 anos de idade. Foi ela quem primeiramente observou as pinturas numa parede da caverna. Havia pinturas executadas com uma magnífica policromia em tons de vermelho, negro e violeta, a maioria medindo cerca de 9x18 metros.
Sautuola reproduziu cuidadosamente esses desenhos e, em 1880, publicou um livro com suas descobertas. Como terá reagido o mundo científico? Será que sua inédita contribuição à cultura, à arqueologia e até à arte foi louvada? Será que recebeu algum prêmio, cumprimento, agradecimento ou reconhecimento das Academias de Ciência?
Como retribuição por ter feito uma das mais importantes descobertas arqueológicas, Sautuola foi acusado de haver forjado as pinturas dentro da caverna! Acusado de fraude numa campanha impiedosa movida contra ele pelo idoso pré-historiador francês Éduard Cartailhac, Sautuola foi expulso de todos os círculos científicos. Ninguém lhe concedeu direito de defesa e seu nome passou a ser sinônimo de charlatanismo. Não podia sequer pôr os pés na rua, pois era insultado pelos transeuntes. Certa vez, ao sair para tomar um pouco de sol, um desconhecido cuspiu na sua cara, gritando para que os circunstantes escutassem: “Impostor!”. Todos os demais cientistas, a imprensa e a opinião pública passaram a difamar e humilhar tanto o pobre homem que pouco depois, em 1888, Sautuola morreu de desgosto.Decorridos alguns anos, entre 1895 e 1901, pinturas similares foram descobertas na França e, logo após, em toda a Europa. Pressionado pelos que, tardiamente, resolveram defender o nome do arqueólogo injustiçado, seu difamador-mor, Cartailhac, escreveu uma carta à filha de Sautuola, reconhecendo seu erro e pedindo desculpas. Maria respondeu que não aceitava o pedido de desculpas, pois agora era tarde demais e ele já havia causado a morte do seu pai. Nenhum pedido de desculpas compensaria a amargura dos ultrajes sofridos ou a própria morte.
HELENA BLAVATSKY
(texto extraído do livro Yôga: Mitos e Verdades, do Mestre DeRose, Ed. Nobel)
Helena Petrovna Blavatsky, uma sensitiva com dons paranormais, foi quem fundou a Sociedade Teosófica. Sofreu tão pavorosas perseguições e difamações, que fez publicar o seguinte anúncio no jornal New York World, em 6 de maio de 1877:
"Desde o primeiro mês de minha chegada a Nova Iorque comecei, por motivos misteriosos, mas, talvez inteligíveis, a provocar ódio entre aqueles que pretendiam ser dos meus melhores amigos e manter comigo boas relações.
Informações aleivosas, insinuações vis e indiretas pouco elegantes choveram sobre mim.
Mantive silêncio por mais de dois anos, embora a menor das ofensas que me lançaram fosse calculada para excitar a repugnância de alguém com o meu temperamento.
Consegui livrar-me de um número regular desses varejistas de difamações, mas, achando que estava atualmente, sofrendo na estima de amigos cuja boa opinião me é valiosa, adotei uma política de auto-exclusão.
Por dois anos, meu mundo esteve restrito ao apartamento que ocupo, e dezessete horas por dia, em média, estive sentada à secretária, tendo os livros e manuscritos por únicos companheiros.
Sou uma velha e sinto necessidade de ar fresco como qualquer pessoa, mas minha aversão por esse mundo, caluniador e mentiroso, que se acha fora das fronteiras dos países incivilizados e pagãos foi tal que, em sete meses, creio ter saído de casa apenas três vezes.
Mas, nenhum retiro é seguro bastante contra os caluniadores anônimos que se valem do serviço postal. Cartas inúmeras foram recebidas por amigos leais, contendo as calúnias mais imundas contra a minha pessoa.
Por várias vezes fui acusada de alcoólatra, embusteira, espiã russa, espiã anti-russa, de não ser russa, de aventureira francesa, de ter estado em cárceres destinados a ladrões, de ter assassinado sete maridos, de bigamia, etc. Outras coisas poderiam ser mencionadas, mas a decência não permite.
Desafio qualquer pessoa em toda a América a vir provar uma só das imputações contra minha honra. Convido qualquer pessoa de posse de tais provas a publicá-las nos jornais, sob sua assinatura."
Quem maltratou a Madame Blavatsky dessa forma tão atroz não foram os materialistas nem os religiosos. Como ela mesma declara em seu primeiro parágrafo, foram os espiritualistas e os teosofistas, "aqueles que pretendiam ser dos meus melhores amigos e manter comigo boas relações." Ora, é sabido que os materialistas e os religiosos não simpatizavam com a sua obra, logo, quem sobra para representar o papel de pretensos amigos são os hipócritas e desequilibrados que tradicionalmente poluem o círculo das entidades espiritualistas. Tanto que o texto acima foi reproduzido no Brasil por uma ordem rosacruz cujos membros, parece, não o leram. Deviam vestir a carapuça, pois o artigo critica e denuncia o mesmo procedimento que mais tarde eles aplicaram contra outras pessoas.
SEMMELWEIS
O médico húngaro Ignaz Phillip Semmelweis (s), (1818-1865) estudou na
universidade de Pest e na de Viena, graduando-se em 1844.
Deve ter se destacado, pois importantes médicos do instituto o elogiaram.
Após a graduação, mesmo sendo húngaro, foi nomeado professor assistente na
Maternidade, então sob a direção do Prof. Johann Klein.
Lá, deparou-se com a febre puerperal, que dizimava mulheres que davam à
luz. Semmelweis notou que o índice de mortes entre as que eram assistidas
por parteiras era bem menor do que aquelas que tinham acompanhamento
médico.
Semmelweis notou que as parteiras lavavam as mãos freqëntemente, coisa que
não acontecia com os médicos, mesmo se eles tivessem feito autópsias e
suas mãos apresentassem o chamado “cheiro cadavérico”.
Orientou, então, os médicos sob seu comando que lavassem as mãos com água
clorada antes dos partos. Resultado: a taxa de mortes caiu drásticamente.
Como agradecimento pela descoberta, Semmelweis foi expulso de Viena. Terá
sido inveja? Incompreensão? Não importa, pois o resultado é o mesmo: as
mortes de parturientes voltaram aos altíssimos níveis de antes, e todos
ficaram felizes...
Na Hungria Semmelweis institui as mesmas normas higiênicas nos hospitais
onde trabalhou, obtendo, é claro, os mesmos excelentes resultados. Mas
também lá enfrentou furiosa oposição.
Desesperado com tanta incompreensão, começou a apresentar sintomas de
doença mental, tendo sido recolhido num asilo, onde morreu desgostoso em
1865.
Em 1894, quase 30 anos após sua morte, foi erguido um monumento (ah, o ser
humano!) em homenagem ao grande médico... Em vida, o perseguiram. Depois
lhe deram um monumento.
Há dezenas e dezenas de outros exemplos ao longo da história da humanidade.
Os primeiros cristãos foram perseguidos. A roda da história girou e o cristianismo, uma vez consolidado, passou a perseguir cientistas e sábios. De vítima a carrasco.
A Santa Inquisição queimou cientistas na fogueira. Depois a ciência se fortaleceu e afastou as superstições religiosas, A partir daí, doutos cientistas passaram a brindar seus pares com preconceitos e superstições dignos de uma comédia pastelão.
Quando Lavoisier descobriu que o ar era formado de oxigênio e nitrogênio, foi duramente contestado e insultado.
O próprio Lavoisier também tinha seus preconceitos. Ao ser informado que um aerólito caíra em algum lugar da Europa, pontificou:
— Não podem cair pedras do céu, visto que não há pedras no céu.
Na Baviera, à época dos primeiros trens, o Colégio Real de Medicina informou que as estradas de ferro causariam danos cerebrais nos viajantes e vertigens nas pessoas que vissem um trem passar!
Assim, fica a advertência a todos quantos forem desbravadores de novos conhecimentos, novas descobertas (ou redescobertas) para estarem preparados, pois o ódio da humanidade certamente se volta contra os precursores, em todas as áreas.
Depois, paulatinamente, o novo paradigma é aceito. Isso ocorre, em geral, após a morte daquele que sofreu tanto pela detração das mentes obtusas.
Ou seja, depois que o desbravador foi caluniado, agredido e difamado,
passa-se algum tempo e a humanidade constata:
— Mas é claro que esse conceito é verdadeiro. Só não vê quem não quer. Mas aí já é tarde para aqueles heróis que ousaram ir além da mediocridade geral. |